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Uma Palmeira sensacional. Seu nome comum é Jerivá, enquanto o nome científico Syagrus romanzoffiana, Família Arecaceae, é uma espécie nativa de grande importância ecológica e econômica no Brasil e em vários países vizinhos como Argentina, Paraguai e Uruguai. Portanto, é uma planta nativa, mas não endêmica do Brasil.
O Jerivá também tem outros nomes populares que variam de acordo com a região, como coco-baboso, coquinho-babão, baba-de-boi, ela pode atingir até 30 metros de altura, com um tronco cilíndrico e liso, marcado por anéis que indicam o local de antigas folhas.
Uso Medicinal e Propriedades da Jerivá
Embora careça de estudos científicos, a medicina popular recomenda o chá da casca e da flor do jerivá, combinado com brotos de amora, para combater “amarelão”, problemas renais e diarréias. A casca e o suco do coco são considerados vermífugos.
As sementes do jerivá são uma fonte razoável de proteínas, fibras alimentares e selênio, além de conterem lipídios, conferindo-lhes valor calórico. Uma pesquisa estudou os óleos extraídos dos frutos de Macaúba e de Jerivá para produzir ingredientes livres de gorduras trans, com excelentes resultados.
É importante notar, entretanto, que um elevado índice de cobre encontrado nas sementes pode indicar toxicidade se ingeridas in natura. Mais cuidados ainda exige com a poluição causada por atividades humanas dos locais de coleta. A composição dos ácidos graxos dos óleos do jerivá é similar ao do óleo de coco.
Uso Industrial e Outras Aplicações
O jerivá possui uma vasta gama de utilizações:
- Madeira: O tronco, que é muito duro e fibroso, é utilizado para lascas em sarrafos para cercar paióis e chiqueiros, além de ser usado como postes, mourões, cercas, caibros e ripas em construções rústicas e no artesanato.
- Energia: As folhas resistentes do jerivá são usadas como material combustível em muitas regiões.
- Alimentação Animal: A forragem do jerivá é apreciada por equinos durante a estiagem, apresentando um bom teor de proteína bruta (11,8% a 15%) e tanino (4% a 5,2%). Seus frutos também servem de alimento para diversos animais, como porcos.
- Alimentação Humana: A polpa adocicada dos frutos é comestível e de grande importância na alimentação, sendo consumida in natura. Em algumas regiões, substitui a tâmara quando bem seca. O palmito do jerivá também é apreciado, apesar de um leve sabor amargo.
- Apicultura: As flores são consideradas melíferas, com grande potencial apícola, produzindo pólen e néctar.
- Paisagismo: É uma palmeira altamente decorativa, muito utilizada em projetos paisagísticos em regiões tropicais e subtropicais devido ao seu belo efeito e à facilidade de transplante de indivíduos adultos, graças ao seu sistema radicular superficial e ramificado.
- Artesanato: Na Região Oriental do Paraguai, o ráquis é usado para fazer arcos. No sul de Santa Catarina, as espatas (brácteas que envolvem e protegem a inflorescências) do jerivá são usadas por crianças como “carriolas” para deslizar em colinas.
- Fibras: Suas fibras são aproveitadas na confecção de roupas, redes e outros artigos.
- Saponina: É extraída dos frutos uma Saponina para a fabricação de sabão.
Plantio Jerivá
O jerivá é uma espécie de crescimento lento a moderado, considerada heliófila (necessita de sol pleno), é tolerante a baixas temperaturas.
- Sementes: Os frutos maduros são colhidos, e as sementes devem ser cuidadosamente extraídas manualmente. O despolpamento é recomendado, pois acelera a germinação. A longevidade das sementes é de cerca de 15 dias, mas podem manter a viabilidade por até 4 meses em armazenamento, comportando-se como ortodoxas.
- Germinação: A germinação é hipógea, do grego “hypogeios”, que significa em baixo da terra, e se refere às primeiras folhinhas da planta que ficam aterradas, sendo assim geralmente lenta, ocorrendo entre 90 e 180 dias, e a taxa de emergência pode ser baixa, sugerindo dormência. O poder germinativo é superior a 60%.
- Mudas: Recomenda-se semear em recipientes, sacos de polietileno ou tubetes de polipropileno de tamanho grande. As mudas atingem o tamanho adequado para plantio cerca de 12 meses após a semeadura.
- Regeneração: Pode ser plantado a pleno sol, tanto em plantios puros quanto mistos.
- Sistemas Agroflorestais: É comum encontrar o jerivá em pastagens, e ele pode ser transplantado em qualquer tamanho. É frequentemente poupado nas derrubadas por suas folhas serem utilizadas na alimentação animal.
- Recuperação Ambiental: Devido às suas raízes superficiais, o jerivá é indicado para a restauração de ambientes ripários (margens de rios) e em áreas com solo permanentemente encharcado.
O jerivá demonstra alta plasticidade ecológica, ocorrendo em diversos biomas brasileiros como a Mata Atlântica (Floresta Estacional Decidual e Semidecidual, Floresta Ombrófila Densa e Mista, Restinga), Cerrado (Savana e Cerradão) e Pampas (Estepe), além de ambientes fluviais, florestas de brejo. Sua ampla ocorrência e adaptabilidade o tornam uma espécie chave para a biodiversidade e para diversas atividades humanas.
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Referências: