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No coração do Brasil, em meio à rica biodiversidade do Cerrado, uma jóia se destaca, não apenas por sua beleza, mas por sua versatilidade e valor nutricional: o baru. Essa árvore, um dos símbolos da flora nativa, mostra como as espécies do bioma podem contribuir para a arborização urbana e, ao mesmo tempo, oferecer frutos que nutrem o corpo e a alma. Em Brasília, por exemplo, o Eixo Monumental já exibe essa maravilha, com vários pés de baru espalhados pela capital, atraindo pássaros e exercendo um papel vital e ecológico.
O Cerrado abriga uma diversidade inestimável, com mais de 20 espécies de frutas nativas, e o baru se sobressai como um exemplo perfeito. Amadurecendo na estação seca, entre julho e setembro, ele se transforma em uma fonte crucial de alimento e renda para as comunidades locais. Seu aproveitamento é completo, da polpa à amêndoa, sem desperdício.
Da fruta à amêndoa: um tesouro de nutrientes
A fruta do baru, com sua casca marrom, pode ser coletada diretamente do chão. A polpa, de sabor adocicado, é consumida in natura, em geleias ou licores, e até mesmo serve de alimento para o gado. No entanto, é a amêndoa, o grande tesouro do baru, que concentra a maior parte de seu potencial nutritivo.
Rica em proteínas, fibras, vitaminas e minerais essenciais como cálcio, ferro e fósforo, a amêndoa é um superalimento. Extraí-la é um trabalho cuidadoso e manual, pois cada fruto contém apenas uma amêndoa, protegida por um caroço extremamente duro. Uma vez extraída, ela pode ser usada em diversas receitas, enriquecendo pães, bolos e sorvetes, ou servindo como um saboroso aperitivo.
O versátil óleo de baru e seu aproveitamento total
O óleo de baru, extraído das amêndoas torradas, é um ingrediente valioso na culinária. As amêndoas são trituradas e cozidas, e o óleo é cuidadosamente coletado para uso em diversas preparações. Um detalhe interessante é que o resíduo desse processo não é descartado; ele pode ser reaproveitado para a produção de sabão caseiro.
Embora o baru seja uma riqueza, seu processamento apresenta desafios. A polpa, de textura cerosa e sabor adocicado, é difícil de ser extraída. Da mesma forma, a amêndoa interna exige o uso de instrumentos apropriados para ser removida do caroço sem ser esmagada.
Sabores do Cerrado: receitas com baru
A versatilidade do baru inspira a criação de pratos doces e salgados que celebram a riqueza do Cerrado. Conheça algumas receitas que mostram como essa fruta pode transformar a culinária regional:
Baru salgadinho: Um petisco simples e delicioso, ideal para acompanhar bebidas. As amêndoas torradas são borrifadas com salmoura e levadas ao forno até ficarem crocantes.
Bombons: A amêndoa de baru é a base para diversas guloseimas. Uma das receitas de Bombom ensina a cobrir as amêndoas com brigadeiro, enquanto o Bombom crocante usa as amêndoas trituradas para dar uma textura especial.
Paçoquinha e Pé-de-moleque: As amêndoas de baru são a estrela nessas duas receitas clássicas. A paçoquinha combina baru com farinha de milho ou de mandioca e rapadura, enquanto o pé-de-moleque mistura baru com farinha de mandioca e melado de rapadura.
Cajuzinho de baru: Uma deliciosa versão do tradicional doce, onde as amêndoas trituradas se misturam com rapadura e coco, moldando-se em formato de caju. Uma amêndoa inteira no topo simula a castanha.
O baru é mais do que uma fruta nativa. É um símbolo da riqueza do Cerrado, um alimento nutritivo e um ingrediente que inspira a culinária, preservando as tradições e valorizando os produtos da nossa terra. Ao consumir o baru, você não apenas desfruta de um alimento delicioso e saudável, mas também contribui para a valorização e a preservação do nosso bioma.
Assista ao vídeo sobre Baru no meu canal no Youtube clicando aqui.
Referências:
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