Uma Jornada Emocionante no Cerrado

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Hoje, 1º de setembro de 2025, acordei com um objetivo claro: Fazer uma trilha em busca de Duguetia furfuracea e de cagaiteira florida. A curiosidade de ver como as cagaiteiras estão florescendo me impulsiona, e a esperança de encontrar a fruta do lobo-guará, a Duguetia furfuracea, me enche de alegria.

No caminho, o Cerrado já se mostra espetacular! Encontrei diversas plantas em plena floração, um sinal de que a estação está perfeita para ver a natureza em seu auge. O maracujá azedo (Passiflora cincinnata) foi meu primeiro achado. Ela se destaca como uma fruta silvestre de excelente qualidade para a agricultura familiar.

Mais adiante, um arvoredo composto por árvores pequenas se destacou na floresta, Era a Andira, com várias espécies florescendo nesta época, como a Andira humilis, a Andira vermifuga e a Andira fraxinifolia. Esta última se destacou dominante na região explorada da floresta. O espetáculo era tão grande que eu mal podia acreditar, um verdadeiro show da natureza.

Duguetia Furfuracea

A busca pela Duguetia furfuracea continua! Encontrei um exemplar com frutos verdes e rígidos, sinal de que em cerca de duas semanas eles estarão maduros. A paciência é uma virtude por aqui, pois os pássaros e outros animais atacam os frutos assim que amadurecem.

Essa fruta é fascinante! Além de ser deliciosa e cheirosa, ela é conhecida como “sofre de gastrite quem quer” por suas propriedades medicinais. Por frutificar na época da seca, ela tem um valor ecológico enorme, fornecendo alimento para a fauna do Cerrado, incluindo o lobo-guará, que a visita frequentemente. Por isso, a Duguetia é ideal para projetos de reflorestamento e recuperação de áreas degradadas.

Gabiroba Fruta

No meio do caminho, me deparei com a floração da gabiroba (Campomanesia pubescens), uma arvoreta incrível com flores brancas que as abelhas amam. Se o fogo não nos atrapalhar este ano, a colheita promete ser abundante. 

Ipê Amarelo

Como de costume no auge da seca, encontrei uma flor solitária no ipê amarelo, um verdadeiro sucesso.

Murici Macho

A trilha continuou me presenteando com belezas únicas, como a Heteropterys byrsonimifolia, com suas flores magníficas que aparecem de agosto a setembro. 

Sucupira branca

E a majestosa Sucupira branca (Pterodon pubescens), com suas folhas novas e renovadas após a estação seca, mostrando sua resiliência. O exemplar que encontrei não estava florida, mas está no tempo de floração e deve florescer nos próximos dias.

Final da Jornada

Finalmente, cheguei às cagaiteiras (Eugenia disentérica). Que árvores robustas! A casca grossa protege-as do fogo. Dentre as unidades que encontrei, algumas eu calculo que devem ter pelo menos quatro décadas. Elas têm crescimento lento. A floração é simplesmente um espetáculo de encher os olhos, com um tronco imponente e flores que enchem a mata de cor. É uma planta que só existe no Cerrado e seus frutos são ótimos para fazer sucos e sorvetes.

Uvaia Azeda e Cereja do Campo

A beleza continuou a me surpreender com a Uvaia-azeda do Cerrado (Eugenia sellowiana), e Cereja do campo (Eugenia punisifolia) completamente frutificada, fornecendo alimento abundante para os pássaros, mesmo em plena seca de setembro.

Guapeva e Duguetia Furfuracea

E para fechar a jornada com chave de ouro, encontrei uma árvore de Pouteria torta carregada de frutos ainda verdes. Esperança para a próxima jornada. Mais emocionante foi que  encontrei uma Duguetia furfuracea madura! Estava uma delícia indescritível! A experiência de saborear essa fruta me faz querer continuar a explorar e proteger as belezas e os sabores únicos do nosso Cerrado.

Essa jornada foi documentada em detalhes em vídeo e você pode assistir agora em meu canal no Youtube. Clique Aqui para Assistir.

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Chuveirinho do Cerrado Paepalanthus Chiquitensis