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Cordia trichotoma, também conhecida como louro-pardo, é uma árvore brasileira importante e versátil. Eu a conheci na propriedade de meu amigo, Alceu do Sítio Ouro Pires em julho de 2025. .
Classificação e Nomes Comuns
Conforme artigo da EMBRAPA (Link na Descrição), O louro-pardo faz parte do grupo das Angiospermas (plantas com flores e frutos) e Dicotiledôneas (com duas folhas embrionárias). Seu nome científico é Cordia trichotoma, mas é popularmente chamado de diversas formas no Brasil, como ajuí, maria-preta, ipê-louro, freijó e canela-parda, dependendo da região. No exterior, é conhecido como peteribí, peterevy e picana negra. O nome “Cordia” homenageia botânicos alemães, e “trichotoma” se refere ao seu estigma dividido em três partes.
Características da Árvore
É uma árvore de médio a grande porte, atingindo de 8 a 20 metros de altura, mas podendo chegar a 35 metros. Possui um tronco reto e uma copa densa e arredondada. A casca é áspera e sulcada, com cor cinza-clara a castanho-acinzentada por fora e marfim por dentro. Suas folhas são simples, grandes e ásperas, e suas flores são brancas e perfumadas, reunidas em grandes cachos. O fruto é pequeno, cilíndrico, de cor bege a esverdeada, e a semente é dispersa pelo vento.
Reprodução e Ocorrência
O louro-pardo é uma planta polígama, ou seja, tem flores com órgãos masculinos e femininos. É polinizada principalmente por abelhas e outros insetos. Floresce e frutifica em diferentes épocas do ano, dependendo da região do Brasil. A produção de sementes geralmente começa a partir dos quatro anos de idade. Seus frutos e sementes são espalhados pelo vento.
Essa árvore é encontrada naturalmente em diversas regiões do Brasil, do Ceará ao Rio Grande do Sul, e também em países vizinhos como Argentina, Bolívia e Paraguai. Ela cresce em altitudes que variam de 30 a 1.300 metros.
Aspectos Ecológicos e Clima
É considerada uma espécie secundária inicial ou tardia, o que significa que ela aparece em áreas que estão em recuperação, como pastos abandonados e capoeiras. É uma árvore de vida longa e é encontrada em diferentes tipos de florestas, como a Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Estacional Decidual, Floresta Ombrófila Densa (Mata Atlântica), Floresta Ombrófila Mista (Floresta com Araucária) e Caatinga Arbórea.
O louro-pardo se adapta a uma ampla variedade de climas, desde regiões com chuvas bem distribuídas até aquelas com estação seca. A temperatura média anual ideal varia entre 16°C e 26°C.
Solo e Sementes
A espécie prefere solos férteis, profundos, bem drenados e com textura que varia de franca a argilosa. Solos muito úmidos, rasos ou arenosos devem ser evitados.
A colheita das sementes deve ser feita quando os frutos ficam marrons e firmes. As sementes podem ser difíceis de armazenar por muito tempo, pois perdem a capacidade de germinar rapidamente, mas podem ser conservadas por até três anos em condições específicas. A germinação das sementes é geralmente irregular e pode levar de 14 a 112 dias.
Produção de Mudas e Propagação
É recomendado semear as sementes em viveiros e depois transplantar as mudas para sacos ou tubetes. As mudas estão prontas para o plantio no campo em cerca de seis meses.
A árvore também pode ser propagada por estacas (pedaços de ramos ou raízes) e até por micropropagação (pequenas partes da planta em laboratório), o que ajuda a obter mudas com mais rapidez e uniformidade.
Cuidados e Cultivo
O louro-pardo tolera sombreamento leve quando jovem, mas prefere sol pleno quando adulto. É moderadamente resistente ao frio, mas mudas jovens podem sofrer com geadas. A árvore tende a ter galhos grossos, por isso a poda é importante para ter um tronco reto e sem muitos nós.
Para o reflorestamento, é recomendado o plantio misto com outras espécies, evitando grandes áreas só com louro-pardo para reduzir problemas com pragas. Ele também é indicado para sistemas agroflorestais, como arborização de lavouras e pastagens, e para quebra-ventos.
Crescimento, Madeira e Usos
O louro-pardo tem um crescimento de lento a moderado no Brasil, mas na Argentina pode ser rápido. A madeira é de leve a moderadamente densa, com cor amarela-pardacenta e um brilho natural. É fácil de trabalhar e tem um bom acabamento, mas é pouco resistente a organismos que causam apodrecimento.
Entretanto, a madeira do louro-pardo é muito valorizada para a fabricação de móveis de luxo, revestimentos decorativos, e em construções civis (vigas, tábuas).
Além da madeira, as flores são melíferas (produzem néctar para abelhas), e a casca da raiz pode ter propriedades medicinais. É também utilizada em paisagismo (arborização de ruas e praças) e para recuperação de áreas degradadas.
Pragas e Conservação
Existem algumas pragas que afetam o louro-pardo, como insetos que sugam as folhas, o que pode enfraquecer a árvore. Para minimizar esses problemas, é recomendado o plantio misto.
A espécie está em risco de extinção em alguns estados, como São Paulo e Mato Grosso, devido à exploração madeireira sem reposição. Por isso, a conservação genética é fundamental para proteger essa importante árvore brasileira.
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