Borboletas Mariposas e Mimetismo

Tempo de leitura: 3 minutos

Qual a diferença entre borboletas e mariposas? Como funciona o mimetismo? Descubra em poucos minutos.

1. Emesis cerea (A “mariposa” que na verdade é borboleta)

Classificação Real: Apesar de frequentemente ser chamada ou confundida com uma mariposa, a Emesis cerea é taxonomicamente uma borboleta pertencente à família Riodinidae (conhecidas como borboletas-marca-de-metal).

Emesis cerea: hábito de pousar com asas abertas. Cerrado-DF – Agosto 2025 Foto @odivanvelasco

Por que causa confusão?

Ela costuma pousar com as asas totalmente abertas e estendidas sobre superfícies (postura típica de mariposas) e possui tons dourados, acastanhados e linhas rendilhadas que lembram camuflagem noturna.

Hábitos: Diurna e nativa da região Neotropical.

2. Stalachtis phlegia (Borboleta)

Classificação: É uma borboleta (também pertencente à família Riodinidae)

.Aparência: Apresenta coloração aposemática marcante, com asas em tons de laranja vibrantes, bordas pretas e manchas brancas pontilhadas.

Estratégia: Suas cores vivas servem de alerta para predadores (mimetismo), sinalizando que seu sabor é desagradável ou que possui toxicidade.

Stalachtis phlegia – Borboleta. Cerrado – DF – Agosto 2026 Foto: @odivanvelasco –

Principais Diferenças entre Borboletas e Mariposas

CaracterísticaBorboletas (Rhopalocera)Mariposas (Heterocera)
AntenasFinas e retas, terminando em uma pequena maça (ponta arredondada).Plumosas (em forma de pena) ou filiformes sem ponta arredondada.
Postura ao PousarGeralmente fecham as asas na vertical sobre o corpo.Costumam manter as asas abertas ou dobradas em formato de “telhado”.
Período de AtividadePredominantemente diurnas (ativas durante o dia).Predominantemente noturnas (com exceções diurnas).
CorpoMais fino, esbelto e com escamas lisas.Mais robusto, volumoso e com aspecto “peludo”.
Casulo / CrisálidaA crisálida é rígida e fica exposta ao ar livre.Tecem um casulo de seda ao redor da pupa antes da transformação.

Nota Biológica: Regras na natureza têm exceções. A ordem Lepidoptera possui milhares de espécies, e grupos como as borboletas Riodinidae (Emesis cerea) frequentemente adotam posturas de pouso idênticas às das mariposas para se camuflarem melhor no ambiente. 

Como Funciona o Mimetismo em Riodinidae?

Em vez de investirem apenas na própria camuflagem (mimetismo criptico), muitas espécies de Riodinidae evoluíram para copiar o padrão de coloração de aviso (aposematismo) de outros grupos de borboletas conhecidamente impalatáveis ou tóxicas, como as das subfamílias Ithomiini e Heliconiinae (família Nymphalidae).

Esse processo ocorre de duas formas principais:

  1. Anéis Miméticos (Anéis de Müller): Na região Neotropical, espécies tóxicas de diferentes famílias compartilham o mesmo “uniforme” (geralmente combinações de laranja, preto, amarelo e manchas brancas). Quando um predador aprende que um indivíduo com essa cor tem gosto ruim, ele passa a evitar qualquer borboleta que vista o mesmo padrão.
  2. Mimetismo Mülleriano vs. Batesiano:
    • Mülleriano (Mútuo): Duas ou mais espécies tóxicas imitam uma à outra. Ambas se beneficiam porque dividem o custo de “educar” os predadores da região.
    • Batesiano (Enganoso): Uma espécie inofensiva e saborosa imita uma espécie tóxica para ganhar proteção gratuita.

O Caso Específico da Stalachtis phlegia

A Stalachtis phlegia e outras integrantes do gênero Stalachtis são exemplos emblemáticos dentro de Riodinidae por entrarem de cabeça nesses anéis miméticos.

Por que a Stalachtis phlegia imita outras borboletas?

  • Compartilhamento de Defesa (Mimetismo Mülleriano): As lagartas e adultos de Stalachtis costumam acumular ou sintetizar metabólitos secundários e substâncias químicas desagradáveis. Ao adotar o padrão estético laranja-negro-branco típico do anel mimético de Heliconius e Ithomiini, a Stalachtis phlegia reforça o aviso visual para os pássaros locais.
  • Redução de Predação Individual: Se uma borboleta tiver um padrão de cores totalmente exclusivo, os predadores precisarão atacar e provar vários indivíduos daquela espécie até aprenderem que ela é ruim. Ao usar uma “farda” já conhecida no ecossistema, a probabilidade de uma S. phlegia ser atacada cai drasticamente.
  • Convergência de Voo e Hábito: A imitação não é apenas na cor das asas. A Stalachtis phlegia costuma voar de forma mais lenta e exposta — comportamento idêntico ao das borboletas tóxicas que imita —, demonstrando ao predador que não tem medo de ser vista.

Veja no YouTube

Consultas

Por favor, deixe seu comentário.